terça-feira, 14 de janeiro de 2020

DISTRITO INDUSTRIAL DE MARABÁ VOLTA A FUNCIONAR


GUSA CARAJÁS (EX-SIDEPAR) - CRÉDITO: ARNILSON ASSIS
Em recente visita ao Distrito Industrial de Marabá, neste 08 de janeiro de 2020 descobri por acaso uma boa movimentação de veículos, pude comprovar uma perspectiva de retomada de muitos negócios, graças a retomada da produção de ferro gusa. Essa notícia se encaixa muito bem no perfil do município de Marabá, no entanto, com a crise ocorrida em 2008, com um desajuste decorrente das políticas ambientais, cerca de 20 mil trabalhadores perderam seus empregos, foram fechadas grande parte das siderúrgicas guseiras, onde o parque industrial chegou a contar com 11 grandes empreendimentos: Simara, Cosipar, Sinobras, Sidepar, Ferrogusa Carajás, Terra Norte, Usimar, Da Terra, Sidenorte, Ibérica e Maragusa.


O DESPERTAR DE UMA REGIÃO
Sem dúvida a região pode estar despertando de um longo sono, pode até não ser uma verdade concreta, no entanto, para muitos trabalhadores e chefes de família, o cenário já mudou com a volta ao funcionamento da Siderúrgica Âncora, do aumento de produção da Ferro Ligas de Marabá – FERMAR com um novo forno em funcionamento e, da Gusa Brasil (ex-Sidepar). Graças a esse recomeço é possível ver uma boa movimentação de veículos e de trabalhadores felizes.



A volta das guseiras I – SIDERÚRGICA ÂNCORA
Após o fechamento de todas as guseiras, eram mais de uma dezena, gerando milhares de empregos diretos e indiretos e fortalecendo uma cadeia produtiva enorme, beneficiando municípios e estados vizinhos, em junho de 2018 resurgiu a Maragusa, agora com o nome de SIDERÚRGICA ÂNCORA, graças a investidores mineiros e hoje empregam mais de 160 funcionários, com um leque enorme de negócios envolvidos, beneficiando a praça local com a contratação de serviços, desde a empresa que realiza o transporte de trabalhadores com vários ônibus e compras no comércio local. A Maragusa era de propriedade do Leonildo Rocha que edificou um projeto moderno de produção de ferro gusa, e ganhou vida e está produzindo normalmente.


A volta das guseiras II - GUSA BRASIL
Com um novo quadro administrativo à frente a antiga siderúrgica Sidepar que no passado funcionava com três fornos e em três turnos, no seu quadro mais de 800 funcionários, ressurge como GUSA BRASIL. O forno foi reativado em 18 de dezembro de 2019 e já responde por 160 empregos diretos é um bom começo. Nem precisa ser um grande observador para ver nos rostos dos trabalhadores uma grande satisfação ao voltar para o mercado de trabalho, poder com o fruto de seu suor garantir uma melhor condição de vida para suas famílias. O brasileiro se transforma quando volta a trabalhar e essa expressão está visível, daí, todos os esforços empresariais se engrandecem de grande importância.


GUSA CARJÁS (EX-CIKEL) - CRÉDITO: ARNILSON ASSIS
A volta das guseiras III – GUSA CARAJÁS
A antiga siderúrgica TERRA NORTE funcionou por muitos anos com dois fornos, foi vendida bem antes da crise do mercado mundial que teve seu auge em 2008, tornou-se a CIKEL, empreendimento dos mais organizados dentro do DIM, uma belezura no seu conjunto industrial, ambiental e de trabalho, mas, foi obrigada a fechar as portas e ressurge, comenta-se que a previsão de funcionamento será a partir de julho de 2020, disse-me um funcionário da administração com uma alegria sem tamanho, para tanto, já foi recuperado um forno de grande capacidade produtiva. As cores estão voltando nas instalações, estruturas sendo recuperadas, renovadas. No seu momento de consolidação de produção ao ter dois fornos em funcionamento gerou mais de 500 empregos diretos.


A volta das guseiras IV – SIDERÚRGICA IBÉRICA
A Siderúrgica IBÉRICA pertence a um grupo espanhol e segundo comentários, trabalha para voltar suas atividades até o final deste ano. O grupo sempre fora muito organizado e detinha uma grande produção em seus dois fornos.


A volta das guseiras V –CARVOPAR
Empresa estabelecida em São Luís do Maranhão, tendo a logística como sua atividade principal, mudou-se para o Distrito, está logo ao lado da grande Gusa Brasil, veio agregar valores a produção e gerar mais empregos. O seu proprietário está super, mega confiante na sua atuação.


A volta das guseiras VI – NOVOS NEGÓCIOS
Não obstante a grande atuação da Siderúrgica Buritirama, visível nas rodovias locais, com uma grande quantidade de veículos, sou conhecedor de um empresário que locou três caminhões bi-trens para o transporte de minério que segue como destino final o Porto de Barcarena, no Estado do Pará.


A volta das guseiras VII – EXTRAÇÃO DE FERRO E COBRE EM CURIONÓPOLIS
Um novo empreendimento está surgindo em Curionópolis, é bem possível que existam outros, pois, o setor empresarial ressurge com mais maturidade e bem sabe o quanto os políticos podem atrapalhar. E, nesta cidade distante 130 quilômetros de Marabá, o empresário Zeferino de Abreu está em sociedade para a extração de minério de ferro, extração e flotação do minério de cobre.



COMENTÁRIO FINAL:
Em conversa com o ex-presidente do Sindicatos dos Trabalhadores Metalúrgicos de Marabá, o mesmo confirmou sobre o funcionamento da Gusa Brasil e, viu uma grande animação para que outras ressurjam. Já em conversa com Zeferino de Abreu Neto, executivo e presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa garante que não há ainda, um apoio dos governantes, tudo que está acontecendo é fruto da confiança e ousadia dos empresários. Zé Fera, como é conhecido, está montando uma indústria de extração de minério de ferro e de extração e flotação de cobre em Curionópolis. Ele afirma que muitas empresas já trabalham com minério não pertencente a Vale, ou seja, ou possuem minas ou compram de empresários locais.
Enfim, na ponta da caneta, uma siderúrgica de gusa não é um investimento pequeno, com apenas uma forno, construída quase por último, uma alçou as cifras de 50 milhões de reais e, a reboque tem o custo da produção de carvão vegetal onde muitas iniciaram a plantação de eucalipto para tal, ou seja, calculando por baixo 11 guseiras ao valor acima mencionado temos nestes empreendimentos mais de R$ 550 milhões e, tudo isso sem funcionar é um grande pecado. Daí, o que esses empresários estão fazendo é algo que a sociedade ainda não se deu conta, do grande investimento e sua geração de empregos. E os políticos? Eles fazem o que?


Francisco Arnilson de Assis, empresário e  ex-gerente do Distrito Industrial de Marabá de 2008 a 2010.



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