Em recente visita ao Distrito
Industrial de Marabá, neste 08 de janeiro de 2020 descobri por acaso uma boa
movimentação de veículos, pude comprovar uma perspectiva de retomada de muitos
negócios, graças a retomada da produção de ferro gusa. Essa notícia se encaixa
muito bem no perfil do município de Marabá, no entanto, com a crise ocorrida em
2008, com um desajuste decorrente das políticas ambientais, cerca de 20 mil
trabalhadores perderam seus empregos, foram fechadas grande parte das
siderúrgicas guseiras, onde o parque industrial chegou a contar com 11 grandes
empreendimentos: Simara, Cosipar, Sinobras,
Sidepar, Ferrogusa Carajás, Terra Norte, Usimar, Da Terra, Sidenorte, Ibérica e
Maragusa.
O DESPERTAR DE UMA REGIÃO
Sem dúvida a região pode estar
despertando de um longo sono, pode até não ser uma verdade concreta, no
entanto, para muitos trabalhadores e chefes de família, o cenário já mudou com
a volta ao funcionamento da Siderúrgica Âncora, do aumento de produção da Ferro
Ligas de Marabá – FERMAR com um novo forno em funcionamento e, da Gusa Brasil
(ex-Sidepar). Graças a esse recomeço é possível ver uma boa movimentação de
veículos e de trabalhadores felizes.
A volta das guseiras I –
SIDERÚRGICA ÂNCORA
Após o fechamento de todas as
guseiras, eram mais de uma dezena, gerando milhares de empregos diretos e
indiretos e fortalecendo uma cadeia produtiva enorme, beneficiando municípios e
estados vizinhos, em junho de 2018 resurgiu a Maragusa, agora com o nome de
SIDERÚRGICA ÂNCORA, graças a investidores mineiros e hoje empregam mais de 160
funcionários, com um leque enorme de negócios envolvidos, beneficiando a praça
local com a contratação de serviços, desde a empresa que realiza o transporte
de trabalhadores com vários ônibus e compras no comércio local. A Maragusa era
de propriedade do Leonildo Rocha que edificou um projeto moderno de produção de
ferro gusa, e ganhou vida e está produzindo normalmente.
A volta das guseiras II - GUSA
BRASIL
Com um novo quadro
administrativo à frente a antiga siderúrgica Sidepar que no passado funcionava
com três fornos e em três turnos, no seu quadro mais de 800 funcionários,
ressurge como GUSA BRASIL. O forno foi reativado em 18 de dezembro de 2019 e já
responde por 160 empregos diretos é um bom começo. Nem precisa ser um grande
observador para ver nos rostos dos trabalhadores uma grande satisfação ao
voltar para o mercado de trabalho, poder com o fruto de seu suor garantir uma
melhor condição de vida para suas famílias. O brasileiro se transforma quando
volta a trabalhar e essa expressão está visível, daí, todos os esforços
empresariais se engrandecem de grande importância.
![]() |
| GUSA CARJÁS (EX-CIKEL) - CRÉDITO: ARNILSON ASSIS |
A volta das guseiras III –
GUSA CARAJÁS
A antiga siderúrgica TERRA
NORTE funcionou por muitos anos com dois fornos, foi vendida bem antes da crise
do mercado mundial que teve seu auge em 2008, tornou-se a CIKEL, empreendimento
dos mais organizados dentro do DIM, uma belezura no seu conjunto industrial,
ambiental e de trabalho, mas, foi obrigada a fechar as portas e ressurge,
comenta-se que a previsão de funcionamento será a partir de julho de 2020,
disse-me um funcionário da administração com uma alegria sem tamanho, para
tanto, já foi recuperado um forno de grande capacidade produtiva. As cores
estão voltando nas instalações, estruturas sendo recuperadas, renovadas. No seu
momento de consolidação de produção ao ter dois fornos em funcionamento gerou
mais de 500 empregos diretos.
A volta das guseiras IV –
SIDERÚRGICA IBÉRICA
A Siderúrgica IBÉRICA pertence
a um grupo espanhol e segundo comentários, trabalha para voltar suas atividades
até o final deste ano. O grupo sempre fora muito organizado e detinha uma
grande produção em seus dois fornos.
A volta das guseiras V
–CARVOPAR
Empresa estabelecida em São Luís
do Maranhão, tendo a logística como sua atividade principal, mudou-se para o
Distrito, está logo ao lado da grande Gusa Brasil, veio agregar valores a
produção e gerar mais empregos. O seu proprietário está super, mega confiante
na sua atuação.
A volta das guseiras VI –
NOVOS NEGÓCIOS
Não obstante a grande atuação
da Siderúrgica Buritirama, visível nas rodovias locais, com uma grande
quantidade de veículos, sou conhecedor de um empresário que locou três
caminhões bi-trens para o transporte de minério que segue como destino final o
Porto de Barcarena, no Estado do Pará.
A volta das guseiras VII –
EXTRAÇÃO DE FERRO E COBRE EM CURIONÓPOLIS
Um novo empreendimento está
surgindo em Curionópolis, é bem possível que existam outros, pois, o setor
empresarial ressurge com mais maturidade e bem sabe o quanto os políticos podem
atrapalhar. E, nesta cidade distante 130 quilômetros de Marabá, o empresário
Zeferino de Abreu está em sociedade para a extração de minério de ferro,
extração e flotação do minério de cobre.
COMENTÁRIO FINAL:
Em conversa com o
ex-presidente do Sindicatos dos Trabalhadores Metalúrgicos de Marabá, o mesmo
confirmou sobre o funcionamento da Gusa Brasil e, viu uma grande animação para
que outras ressurjam. Já em conversa com Zeferino de Abreu Neto, executivo e
presidente do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa garante que não há ainda,
um apoio dos governantes, tudo que está acontecendo é fruto da confiança e
ousadia dos empresários. Zé Fera, como é conhecido, está montando uma indústria
de extração de minério de ferro e de extração e flotação de cobre em
Curionópolis. Ele afirma que muitas empresas já trabalham com minério não
pertencente a Vale, ou seja, ou possuem minas ou compram de empresários locais.
Enfim, na ponta da caneta, uma
siderúrgica de gusa não é um investimento pequeno, com apenas uma forno,
construída quase por último, uma alçou as cifras de 50 milhões de reais e, a reboque
tem o custo da produção de carvão vegetal onde muitas iniciaram a plantação de
eucalipto para tal, ou seja, calculando por baixo 11 guseiras ao valor acima
mencionado temos nestes empreendimentos mais de R$ 550 milhões e, tudo isso sem
funcionar é um grande pecado. Daí, o que esses empresários estão fazendo é algo
que a sociedade ainda não se deu conta, do grande investimento e sua geração de
empregos. E os políticos? Eles fazem o que?
Francisco Arnilson de Assis, empresário e ex-gerente do Distrito Industrial de Marabá de 2008 a 2010.


Nenhum comentário:
Postar um comentário