quarta-feira, 11 de julho de 2018

TRABALHO COLABORATIVO, APRENDENDO COM OS FEIRANTES


Hoje à tarde dei uma passada na Feira que nas proximidades do antigo Shopping Titânio, na Nova Marabá, fui procurar por Castanha do Pará, a nossa Castanha do Brasil, a Bertholletia excelsa, muito abundante em nosso Estado e, por fatores adversos estão ficando cada dia mais difíceis de se encontrar. Fui sem muitas esperanças e passei na primeira banca e realmente não havia, o moço muito simples e humilde me apontou e disse: "O Senhor vai ali naquela banca do homem de camisa vermelha que ele tem". Segui caminhando devagar, vi muitas frutas belas e frescas, havia uvas, maracujá, abacaxis enormes, bananas entre outras. Mais alguns metros e uma Feirante se levantou e me perguntou o que queria, disse-lhe que procurava por Castanha do Pará, e ela me fez a mesma indicação. Continuei minha caminhada, devagar e olhando para as frutas e outra vez fui abordado, novamente a indicação que na banca mais adiante eu encontraria. E perguntei se dava para encontrar também açaí, a resposta foi, ali bem próximo o senhor vai encontrar, pode seguir em frente.

Cheguei no local indicado, não só havia a castanha como a pessoa me ensinou como tirar a casca, usando uma faca caseira, bem prático. Fiz o desafio, mais o senhor não tem açaí, tem? E tinha, estava no frigobar e ainda aproveitei para comprar a farinha de tapioca, apropriada para a mistura com o açaí, também comprei amendoim já torradinho. Ainda me foi oferecido a banana de fritar, mas, estava um pouco verde e eu declinei.


Nesta feira de beira de estrada tive uma aula grátis, sobre o Trabalho Colaborativo, através de feirantes, pessoas simples que compreendem com muita facilidade a contribuição que um pode dar ao outro. Eles não tratam os colegas como adversários, concorrentes, pelo contrário, são solidários e ainda prestam um excelente serviço aos consumidores. Sai muito satisfeito, realmente eles se ajudam e melhoram os negócios uns dos outros.


O BRASIL PRECISA DO TRABALHO COLABORATIVO
Na atualidade a economia brasileira ainda vive a fragilidade da crise que não tem pressa de ir embora, chegou e se acomodou, nada está surtindo efeito para afastá-la, provocando instabilidade em todos os setores, com algumas exceções, como é o caso do sistema bancário que nunca é afetado. Mas, se lá em Brasília quando dizem que estão ajudando, o efeito que chega para os consumidores e empresários e totalmente adverso. 

A realidade pode ser vista como um "cada um por si", pouco importando com quem fecha as portas, seja na indústria, no comércio. Ao longo dos anos nos deparamos com pontos estratégicos nas ruas comerciais, cujo estabelecimento fechou e ali está a placa de "aluga-se" ou de "vende-se", encerrando um ciclo benéfico e positivo, mas, com as portas fechadas tudo ali se foi para o espaço. Situações assim podemos ver diariamente, abre-se um comércio e fecha-se três, quatro ou cinco, com a subtração de muitos postos de trabalhos.


A falta do Trabalho Colaborativo há entre as empresas, cada um por si, como também, nas muitas entidades de classe que não conseguem enxergar esse grandioso problema, apenas aceitam comodamente, a justificativa é bem simples, o país está em crise. Esquecem-se eles que a saída é a união em prol de uma ação, de estudar os problemas e encontrar as soluções, mas, elas não virão de uma visão ou de uma empreitada individual. Virá do conjunto, do coletivo, cada um assumindo uma responsabilidade. 

Tenho visto e observado muitas justificativas para a mortandade de empresas no cenário local, cujas expectativas estão condicionadas ao "se", "se vier isso, se vier aquilo o comércio vai melhorar", e assim, fica determinado na cabeça destes que só precisam esperar pelo futuro. Mas, desde quando a crise se estabeleceu no Brasil, em Marabá? Dizer que teve início em 2014 é fácil pois, foi quando realmente foi sentida. 

Em 2010 o PIB Brasileiro cresceu 7,5 por cento, mas, porém, entretanto, todavia, em 2016 o mesmo alcançou 3,6 por cento negativo, a maior crise já registrada no Brasil. Em 2010 estudos dão conta que o índice de desemprego era de 7,4 por cento e chegou em 2016 a 12 por cento, a dívida pública saiu de R$ 1,69 trilhão para R$ 3,11 em 2016, com o resultado primário positivo em 2010 da ordem de R$ 58 bilhões para negativos em 154 bilhões negativos. Tudo isso, esse empobrecimento aconteceu muito rápido, como uma queda livre. 

Enfim, rogo a Deus que possamos o mais rapidamente possível compreender e aplicar direito o Trabalho Colaborativo em nossa cidade, não é coisa só de papel não, é de ação, é de reunir e pegar para fazer alguma coisa, é parar de esperar que venha um projeto ou uma indústria para resolver o problema que é muito mais complexo. A oxigenação da economia passa pele compromisso elaborado e executado conjuntamente. Sem Trabalho Colaborativo muito mais empresas fecharão, se for o caso, chamarei os feirantes para umas aulas bem simples e funcionais, ou vamos perguntar no Posto Ipiranga.


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