quarta-feira, 1 de agosto de 2018

MEGA PROJETOS E A REALIDADE NADA

Crédito: DOL/RBA
O município de Marabá como outros, escolheu se estabelecer as margens dos rios, com foco na utilização destes para diversas atividades, seja para sobrevivência ou para via de escoamento de produtos através da navegação. 

Tivemos esses rios bastante ativos até bem antes da construção da Hidrelétrica de Tucuruí, que barrou a navegação e o transporte de muitas riquezas. Até os dias atuais os anseios de desenvolvimento passam por estas águas projetos, alguns já saídos do papel como é o caso das Eclusas de Tucuruí, (para a passagem de produtos até o Porto de Barcarena), inauguradas em novembro de 2010 (as obras demoraram 29 anos) de lá para cá ficou sem utilidade, queríamos tanto e está tudo sem utilidade. Podemos concluir que não nos preparamos para o pós inauguração. 

É essa a nossa realidade, pensamos no futuro sem trabalhar no presente. Agora queremos ampliar o Porto de Barcarena, a Derrocagem do Pedral do Lourenção, o Porto Público de Marabá, a Ferrovia Paraense, a ampliação do Polo Metalmecânico, a criação da Zona de Processamento de Exportação entre outros quereres.



QUEREMOS TUDO MEGA
A coisa do querer é fácil, a do fazer é bem diferente, tais solicitações, embora sejam todas elas muito boas, tem um preço e não há quem queira pagar, pois, dinheiro não há. Estamos sem uma base econômica formada, própria, sem produção. Digo que há muitos projetos viáveis para a região, afinal, nosso estado é rico em terras, a nossa cidade também. Temos rios extensos, muita energia a bater na porta e um grande contingente de pessoas desempregadas ou subempregadas e outras jogadas em assentamentos sem condições de produzir seja o que for. Tudo sem convergência de ideias e projetos.

Os investimentos prospectados custam muita grana. As eclusas tiveram o custo de R$ 1,66 bilhão e estão lá paradas. Foi uma batalha para que fosse construída. Agora queremos mais, veja essa listinha:
  1. Investimento no Porto de Barcarena, com ampliação e acréscimo de mais piers;
  2. Dragagem do Canal do Quiriri;
  3. Hidrovia Tocantins - Marabá até Barcarena;
  4. Derrocagem do Pedral do Lourenção;
  5. Construção do Porto Público de Marabá;
  6. Construção da Ferrovia Paraense ao custo de R$ 14 bilhões;
  7. Paremos por aqui.


A REALIDADE DO NADA
Enquanto esperamos pelos mega projetos, coisas super importantes, não resta dúvidas, mas que, são investimentos difíceis de serem obtidos. Nada contra, mais vamos continuar a esperar por quantos anos? As eclusas demoraram 30 anos para ser construída. O projeto da Hidrovia foi concebido em 1960 , retomado nos anos 80 e estamos sentadinhos a espera desta obra. A Fepasa, é outro mega, embora seja importante para o transporte da mega produção de soja do Mato Grosso, de uma grande produção do Goiás e uma pequena produção paraense, é um mega investimento. Vamos continuar nesta rotina de pedir e esperar por uma eternidade.

Em uma analogia simples, estamos querendo tudo que não podemos ter de acordo com as nossas possibilidades, sempre queremos que outros nos viabilizem, que invistam tudo.

Vivemos em um país de mega obras e de muitos erros de cálculos, vejamos o caso da obra de transposição do rio São Francisco, com custo inicial de R$ 4,8 bilhões, passou para R$ 8,2 bilhões e até agora ninguém sabe quando será concluída (a obra teve início em 2007) e nem quanto custará quando terminar. Podemos citar o projeto da Hidrelétrica de Belo Monte, que extrapolou por várias vezes as previsões orçamentárias. Não faltam erros nesta trajetória.

De tanto querer, de discursar em prol dos mega projetos, esquecemos dos pequenos projetos, esses podem impactar positivamente a região. Temos o Distrito Industrial de Marabá com uma dezena de indústrias guseiras montadas e paradas desde 2008. Como se esquecer desta realidade, deste presente?

Nossa gente precisa de respostas para o hoje. O amanhã será o resultado do que fizermos agora. Vamos deixando de fazer, de produzir, ficamos a esperar e nada acontece. Mas, os políticos alçam voos para postos mais elevados. Sempre falam bonito, o mesmo discurso gravado. Pensam no macro e desprezam o micro. Querem as Muralhas da China e esquecem-se de produzir os tijolos.



Enfim, estamos como água parada, sem nada, mas estamos esperando. O ruim é que a barriga vazia dói muito. Vai demorar muito? Quem sabe???  

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